segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

PENAFIEL . 0 BENFICA - 3 - EFICAZ

Competente

Vitória fácil do Benfica na deslocação a Penafiel num jogo em que deixou a sensação de nem ter sido necessário jogar mais do que a meio gás. A expulsão de um jogador adversário facilitou o avolumar do resultado na fase final do jogo e para quem não tenha visto o jogo os números finais até poderão deixar a ideia de uma exibição mais espectacular do que realmente foi


Muito se especulou pela comunicação social fora depois da saída do Enzo, muita gente voltou a esfregar as mãos, já gastas de tanto esfregar, e pensou e disse 'Agora é que é', e de repente até parecia que o jogo em Penafiel seria um obstáculo de outra galáxia. De cada vez que o Porto ganha, os jornais fazem manchetes com a 'pressão' que coloca sobre o Benfica, como se não fossem seis os pontos que nos separam deles. Vale tudo para tentar criar instabilidade. Já não há Enzo, o Samaris está suspenso, há outros no plantel. Entrega-se o meio campo a dois miúdos de 19 e 20 anos, e vamos a jogo. O Luisão e o Eliseu continuam de fora, o André Almeida continua na esquerda e desta vez entrega-se o lugar no centro ao Lisandro, permitindo-lhe jogar na sua posição natural mais à direita (até agora tinha jogado sempre sobre a esquerda). O jogo, no qual o Benfica jogou praticamente em casa de tão maioritariamente favorável foi o apoio do público que encheu o 25 de Abril,  foi aquilo que se poderia esperar entre duas equipas com valia e objectivos completamente diferentes. O Penafiel jogou com as armas que tinha, tentou fechar atrás e manter-se o mais organizado possível para depois explorar algum lance fortuito no ataque. O Benfica, tendo quase sempre a bola em seu poder, nunca pareceu querer ou ter sequer a necessidade de forçar ou acelerar muito, fazendo um jogo paciente e parecendo seguro que mais cedo ou mais tarde as ocasiões apareceriam com naturalidade. Com o Penafiel a preferir remeter-se ao seu meio campo e esperar pelo Benfica, e portanto a não exercer sequer grande pressão sobre os nossos jogadores, os nossos médios puderam jogar com relativa liberdade e tempo para pensar e distribuir o jogo, mas encontrámos sempre dificuldades para descobrir espaços na defesa adversária. 


A primeira jogada digna de realce foi uma iniciativa individual do Ola John, que furou por entre os adversários e só pecou por não ter sabido soltar a bola para a sua esquerda, onde tinha o Gaitán completamente solto. De qualquer forma fiquei com a nítida impressão de que ele foi derrubado em falta quando estava prestes a isolar-se, mas o árbitro não assinalou nada. Pouco depois foi uma tabela entre o Jonas e o Lima que deixaria este último em posição privilegiada, não fosse ter sido derrubado em falta no último instante. Desta vez o livre foi assinalado, em posição frontal e perigosa, mas o Talisca rematou muito por alto. Seguiu-se nova situação de algum perigo, num lance de exclusiva responsabilidade do guarda-redes do Penafiel, que largou uma bola de forma atabalhoada e quase permitiu ao Jonas fazer o golo, mas ainda conseguiu emendar a mão a tempo de ceder canto. Quanto ao Penafiel, se havia alguma estratégia de contra-ataque, não resultou de forma alguma. A única forma que tinha de conseguir chegar à área do Benfica era através de livres nas zonas laterais do campo, aproveitados para colocar lá a bola - e sobretudo numa fase inicial os nossos jogadores concederam mais desses livres do que seria desejável. O golo que abriu o marcador acabou por surgir aos trinta e sete minutos de jogo, com o carimbo de qualidade do Gaitán e do Lima a permitir uma finalização fácil ao Talisca. Tudo começou num grande passe em profundidade do argentino para as costas da defesa adversária, onde o Lima teve um excelente controlo de bola, deixou um defesa no chão, e passou atrasado para o Talisca empurrar para a baliza deserta. Vantagem justa ao intervalo, e que só salvo alguma reviravolta pouco provável no sentido do jogo ou algum golpe de azar poderia ser anulada.


A verdade é que logo nos minutos iniciais da segunda parte o Penafiel até chegou a introduzir a bola na nossa baliza - na sequência de mais um livre lateral despejado para a área - mas o golo foi anulado. A repetição mostrou que o autor do golo estava de facto em posição irregular, mas fiquei com muitas dúvidas em relação à posição do auxiliar que assinalou a infracção. A bem da verdade desportiva, parece-me que essa é uma situação que deverá ser devidamente escrutinada, porque se calhar o auxiliar estava em posição irregular. De volta ao jogo, pouco mudou em relação à primeira parte. Para falar a verdade, até estava um pouco irritado com a aparente falta de vontade do Benfica para forçar um pouco mais em busca do golo da tranquilidade, parecendo satisfeito em controlar a posse de bola e deixando o tempo correr, até porque o Penafiel era um adversário muito pouco incómodo. E se já era pouco incómodo, ainda menos se tornou quando a vinte e cinco minutos do final o seu lateral direito foi expulso por acumulação de amarelos, depois de puxar a camisola do Jonas. A partir daí passou a ser apenas uma questão de deixar o tempo correr e ver se o Benfica ainda conseguiria marcar mais algum golo, porque a vitória quase de certeza já não fugiria. Mesmo sem acelerar muito o ritmo do jogo, o Benfica foi competente na forma como jogou em superioridade numérica, com frequentes variações rápidas do flanco de jogo que permitiam encontrar sempre um jogador sozinho nas pontas. Foi dessa forma que começámos a ver mais jogadas perigosas a surgir, e numa entrada pela direita do Maxi, a doze minutos do final, chegámos ao segundo golo. O cruzamento desviou num defesa e fez a bola passar sobre o guarda-redes, permitindo ao Jonas, quase sobre a linha de golo, marcar com o peito. E antes do final marcámos ainda um terceiro golo, num cabeceamento do Jardel sem qualquer oposição na pequena área, após canto marcado pelo Gaitán.


O Gaitán foi novamente decisivo. Até podia passar a maior parte de um jogo sem se dar por ele, que depois aparece e em dois ou três pormenores de classe desequilibra. Gostei de ver o Cristante, que mais uma vez mostrou ter uma qualidade de passe muito superior à média. Como hoje jogou com pouca pressão conseguiu aparecer mais. Creio que temos ali um jogador com muita qualidade, mas continuo a achar que pode render mais noutra posição com menos responsabilidades defensivas e mais liberdade para distribuir jogo. Outros jogadores que gostei de ver foram o Jonas, bem a fazer a ligação entre o meio campo e o ataque, o Maxi, e pareceu-me que o Lisandro esteve mais à vontade a jogar sobre a direita. Mas aquela posição é obviamente do Luisão.

Acima de tudo creio que foi uma exibição bastante competente da nossa equipa, que resultou numa vitória perfeitamente natural. Como escrevi antes, perdemos o Enzo mas confio que outros saberão ocupar o seu lugar. Por agora talvez seja altura de outros começarem a lançar mãos à obra para tentar fazer uma novela Nico. Quem sabe, se o Benfica o vender, desta é que vai ser.

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