segunda-feira, 21 de agosto de 2017

BENFICA - 5 BELENENSES - 0 - MUITA CATEGORIA

Passeio

Creio que se começar este texto a dizer que a vitória por cinco golos sem resposta frente ao Belenenses foi um resultado que peca por escasso, isso será suficiente para dar uma imagem bastante concreta daquilo que foi a produção ofensiva do Benfica neste jogo. É que para além das cinco bolas que entraram, enviámos quatro bolas aos ferros e tivemos ainda mais uma mão cheia de oportunidades flagrantes que não concretizámos. Foi um passeio do Benfica frente ao Belenenses, que poderia ter acabado com um resultado histórico.


Já o escrevi anteriormente: o onze inicial do Benfica nesta fase inicial da época é bastante fácil de prever, sendo as únicas alterações provocadas por indisponibilidade de algum jogador. Desta vez foi o Fejsa, e também previsivelmente foi o Filipe Augusto quem ocupou a sua vaga. O treinador do nosso adversário tentou durante a semana fazer bluff e andou a dizer que não se apresentaria na Luz a jogar com o esquema táctico de três centrais que tinha utilizado nas jornadas iniciais. Mas acabou por não mudar nada; os três centrais mantiveram-se e qualquer eventual vantagem que pretendesse retirar do bluff esfumou-se rapidamente. É que com pouco mais de um minuto decorrido já festejávamos um golo do Jonas, que aproveitou um livre lateral do Pizzi (resultado de uma recuperação de bola do Salvio em zona adiantada) para fugir à marcação e cabecear sem oposição. E assim começámos logo a eliminar da equação deste jogo o factor antijogo que seria mais do que previsível numa equipa treinada pelo Domingos a jogar na Luz. O golo madrugador talvez fizesse antever uma cavalgada desenfreada do Benfica nos minutos seguintes, mas não foi isso que aconteceu. Esses minutos foram, aliás, o período em que o jogo esteve mais equilibrado, sem muitas ocasiões de golo de parte a parte - o Belenenses até teve aquela que terá sido a sua melhor situação em toda a partida, num remate forte à figura do Varela. Mas a partir dos vinte e cinco minutos o Benfica voltou a acelerar o ritmo e a fazer a bola chegar à frente de forma muito rápida, e a balança ficou definitivamente desequilibrada. O segundo e terceiro golos chegaram rapidamente, separados por cinco minutos, com o primeiro deles a surgir aos vinte e oito num grande remate de fora da área do Salvio, na sequência de um pontapé de canto que só não tinha acabado logo em golo porque o guarda-redes fez uma defesa quase impossível ao cabeceamento do Luisão, tendo depois o Belenenses sido incapaz de afastar a bola das imediações da área até que um toque do Filipe Augusto a deixou nos pés do argentino. O terceiro foi uma jogada do mais simples que podia haver: balão do Luisão para a zona do círculo central, toque de cabeça do Jonas para as costas da defesa e o Seferovic a correr quase meio campo isolado para finalizar com frieza. Ainda antes do intervalo, toda a gente de mãos na cabeça por ver aquele que seria um dos golos da época a fugir por tão pouco: o Jonas recupera a bola no círculo central, levanta a cabeça e remata dali mesmo em balão, fazendo a bola passar sobre o guarda-redes, bater na relva, e ir caprichosamente embater na trave da baliza. Num jogo com cinco golos, o facto deste ser provavelmente o lance de que quase todos falarão e se irão lembrar deste jogo diz muito sobre a qualidade e espectacularidade do mesmo.


Com o jogo resolvido ao intervalo, na segunda parte o Benfica tomou a decisão óbvia de baixar o ritmo do mesmo e privilegiar posses de bola mais prolongadas. O jogo em geral pareceu tornar-se um pouco mais monótono, mas mesmo sem forçar muito, sempre que o talento dos nossos jogadores aparecia as situações de golo eram uma consequência imediata. O Luisão acertou no poste, o Seferovic atirou ao lado depois de um grande passe do Filipe Augusto o deixar isolado, o cruzamento do Cervi saiu demasiado chegado à baliza e depois da bola sobrevoar o guarda-redes foi bater no poste, O Jardel cabeceou ao lado depois de um grande trabalho do Pizzi na direita, e assim por diante. Quando o jogo parecia estar mais monótono, de repente aparecia mais uma ocasião de golo. A meio desta segunda parte trocámos o Seferovic pelo Jiménez, e o mexicano veio animar um pouco mais as coisas no ataque, já que entrou com grande vontade de mostrar serviço. Por esta altura, mesmo com a vantagem confortável no marcador, o resultado já me parecia frustrantemente escasso para tanta ocasião, e o Jiménez continuou a aumentar a contabilidade dos golos por marcar. A cinco minutos do final trabalhou bem, fugiu à marcação mas acabou por rematar quase à figura do guarda-redes. Três minutos depois surgiu solto pela direita e rematou cruzado com estrondo ao poste. Aos noventa optou, e muito bem, pelo passe para o Jonas, que controlou a bola no peito e rematou de primeira de pé esquerdo, fazendo a bola entrar junto ao ângulo superior da baliza. Mais um golo fantástico daquele que é o melhor jogador da nossa liga desde que chegou ao Benfica. E ainda nos descontos deu para ampliar o resultado em novo lance com intervenção do Jiménez, que desmarcou o Pizzi pela direita para este fazer uma assistência que permitiu ao Jonas marcar um golo fácil, limitando-se a empurrar a bola já dentro da pequena área. Um resultado mais ajustado ao que se passou em jogo em mais uma noite fantástica na Luz. A parte negativa deste jogo foram as saídas do André Almeida e do Salvio por problemas físicos. Esperemos que sejam apenas situações pontuais e nada de mais grave.


O Jonas é o inevitável homem do jogo, com um hat trick e uma assistência. E ainda aquele lance que ficará na memória de todos. Já não há muitos mais elogios que lhe possamos fazer. E nesta fase pode-se dizer o mesmo do Pizzi, que continua em cada jogo a mostrar toda a sua qualidade e classe. De uma forma geral não tenho nada a apontar a qualquer um dos jogadores. Todos estiveram num nível bastante bom, e até mesmo o Filipe Augusto (de quem eu já afirmei diversas vezes não ser particular admirador) fez o seu melhor jogo pelo Benfica. Mas quero mencionar os nossos dois extremos, Salvio e Cervi, que na minha opinião foram também dos principais responsáveis pela excelente produção da equipa.

Foi mais um jogo na linha daquilo que a equipa tem vindo a produzir desde que a época teve início. Uma equipa com perfeito controlo dos ritmos e momentos do jogo, a exibir uma excelente condição física - dois golos nos instantes finais a mostrarem que conseguem manter o ritmo elevado durante os noventa minutos - e com uma união muito grande dentro do campo. Talvez estes quatro jogos tenham permitido acabar com muito do cepticismo em redor daquilo que podemos alcançar esta época. Temos uma base estável e um processo de jogo bem estabelecido, e desde que consigamos trabalhar sobre isso em vez de destruir o que temos o sucesso é uma consequência quase inevitável.

A.VISEU - 3 LEIXÕES - 0 - JUSTO

Ac. Viseu FC 3-0 Leixões SC

O Académico bateu o Leixões por esclarecedores 3-0 e segue líder da Ledman LigaPro apenas com vitórias e com melhor «goal avarage» que o Santa Clara que também tem 9 pontos, tantos como o Académico.

Numa tarde de muito calor, com temperatura bem acima dos 40 graus, os adeptos academistas que se encontravam na superior central viram o jogo como se estivessem numa sauna, condições pouco condizentes com a ambição de se subir de divisão.

Se os adeptos sofreram com o calor, também os jogadores sentiram dificuldades. O Académico, na medida do possível tendo em conta as condições atmosféricas, entrou mandão na partida e logo nos primeiros minutos Fernando Ferreira fez brilhar o guardião leixonense.

O resultado ao intervalo (0-0) até se aceitava mas foi o Académico que esteve melhor na partida, e que teve a oportunidade mais flagrante para marcar, após pontapé de canto de Fernando Ferreira e remate de cabeça de Bruno Miguel a fazer brilhar André Ferreira (?). O Leixões também criou relativo perigo, sobretudo em alguma passividade defensiva academista.

Com poucos minutos decorridos na segunda parte o Académico abriu o marcador - cruzamento largo, ao segundo poste, Sandro Lima ajeitou a bola e Barry, à meia volta, a encher o pé e a fuzilar o redes forasteiro. A estreia do ponta de lança a facturar com a nossa camisola.

Pouco depois o 2-0, obra de arte de Sandro Lima. Bola cruzada para a entrada da área leixonense, excelente trabalho de SL91 sobre os centrais enchendo o pé para um grande golo. Foi o 19º golo de Sandro Lima com a nossa camisola na Segunda Liga, igualando o histórico Zé de Angola.

Ficou-se com a sensação que o Académico fosse inteligente, como foi, poderia marcar mais um outro golo. E esse golo surgiu através de Zé Paulo. Sandro Lima sobre a esquerda encontra o compatriota a entrar pelo meio, entrega-lhe a bola e ZP30, bem ao seu jeito, retira os defesas da frente e só com André Ferreira não desperdiçou.

O Académico ainda podia ter feito o 4-0, por Bruno Loureiro, mas o médio viseense teve «medo de ser feliz» e em vez de ter ido para a baliza entregou a bola a Yuri e a jogada acabaria por se perder.

E o Leixões, não criou perigo? Criou, e eu registo-lhe dois remates que saíram junto aos postes de Peçanha, mas o Académico teve sempre o jogo controlado.

O líder do campeonato na próxima quarta feira desloca-se ao terreno do lanterna vermelha, o Arouca. Que ninguém espere facilidades.

Força Académico!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

CHAVES - 0 BENFICA - 1 - ACREDITAR

Perseverança

Uma vitória alcançada no último suspiro de um jogo muito complicado, mas que se deve sobretudo à perseverança com que o Benfica a perseguiu e continuou sempre em busca da felicidade. Mesmo perante um adversário que à medida que o tempo corria se ia fechando cada vez mais na defesa de um ponto, o Benfica lutou literalmente até ao último segundo pela vitória e foi justamente recompensado pelo esforço.


Apesar de estarmos no início da época, nesta altura já conseguimos prever facilmente qual é o onze base do Benfica. Benefícios da estabilidade. Jogaram exactamente os mesmos que tinham defrontado o Braga, e provavelmente apenas o Grimaldo e o Júlio César, quando recuperados, entrarão na equipa. A primeira parte correspondeu às dificuldades que se esperavam à partida neste jogo. O domínio foi muito repartido, sem que o Benfica fosse capaz de impor a pressão alta que tinha dado tão bons resultados nos dois primeiros jogos, e consequentemente sem conseguirmos estabelecer um domínio territorial claro. A posse de bola foi dividida, mas numa coisa levámos vantagem: é que com a bola conseguimos ser sempre bastante mais perigosos no ataque do que o Chaves. Enquanto que o nosso adversário praticamente não criou uma ocasião clara de golo, o mesmo não se pode dizer de nós. O Salvio foi o nosso jogador mais perigoso e foi dos pés dele que saíram quase sempre as melhores ocasiões para marcar, mas a finalização voltou a não ser a melhor e quando não era esse o caso aparecia o guarda-redes Ricardo ou o defesa central Nuno André Coelho a negar o golo no limite (fizeram ambos um grande jogo). No Benfica pareceu-me que vimos pouco Jonas e Pizzi, o que obviamente afecta muito a nossa produção ofensiva, e o Seferovic jogou quase à Jiménez: participativo no jogo da equipa mas a maior parte do tempo longe das zonas de finalização. Numa das raras ocasiões em que vimos uma jogada típica dele, onde se desmarcou nas costas da defesa e correu para a baliza, apareceu o inevitável Nuno André Coelho com um corte providencial a evitar que o remate acabasse em golo. O empate ao intervalo era preocupante porque o jogo estava partido e nós já tínhamos desperdiçado daquelas ocasiões que normalmente se costumam lamentar no final de jogos assim.


Mas o preço de dividir um jogo com o Benfica e acompanhar o nosso ritmo é alto, e na segunda parte depressa se começou a ver o Chaves a ter que o pagar. Se nos primeiros minutos ainda pareceu que o jogo continuaria dividido e muito partido - duas boas situações para o Benfica, incluindo uma bola ao poste pelo Jonas, e a resposta do Chaves na sua ocasião mais perigosa de todo o jogo, que proporcionou ao Varela uma boa defesa - depressa foi visível a progressiva falta de pernas do Chaves para manter o ritmo, recuando cada vez mais para junto da sua área e acabando por passar a maior parte da segunda parte dedicado exclusivamente a defender o empate. O Pizzi e o Jonas foram aparecendo cada vez mais, o jogo pelas alas também, com o Cervi em destaque, e a pressão foi-se intensificando. Mas a floresta de pernas em frente à baliza do Chaves e o acerto que se mantinha das duas unidades que já referi pareciam ser capazes de ir evitando o nosso golo. O Benfica fez um alteração a vinte minutos do final que até nem pareceu muito lógica, trocando o Cervi pelo Rafa - e não me pareceu muito lógica porque, conforme disse, o Cervi estava a ser um dos jogadores em destaque na segunda parte - e dez minutos depois fez uma aposta ainda mais deliberada no ataque total com a entrada de um terceiro avançado (Jiménez) por troca com o Salvio, passando o Rafa para a direita. Entre estas duas alterações, uma pausa para descanso que o Chaves bem deve ter agradecido, porque muitos dos seus jogadores já quase não pareciam aguentar-se de pé. Um deles foi o lateral esquerdo Furlán, que depois de um jogo todo a levar com o Salvio e o André Almeida em cima cedeu de vez, e depois de estar dois minutos estendido com cãibras acabou mesmo por ser substituído. E foi precisamente por aquele lado que, em período de descontos e quando já muitos acreditariam que o nulo se manteria até final, surgiu a jogada do golo. A própria jogada parecia já que já não daria em nada: o passe do Pizzi para as costas do lateral foi muito bom, mas o Rafa acabou por fazer o cruzamento em esforço já perto da linha final e nem acertou bem na bola, que saiu rasteira e com pouca força para a zona do primeiro poste. Mas o Seferovic acreditou, antecipou-se ao defesa e com um desvio também sem grande força fez a bola passar entre as pernas do guarda-redes. Game over.


Na minha opinião o Pizzi voltou a ser um dos melhores. A qualidade de passe e visão de jogo dele está cada vez melhor, e então quando o Chaves recuou para junto da sua área e lhe permitiu ter mais espaço para jogar e pensar abriu o livro. Fez diversos passes a rasgar para as costas da defesa que só não tiveram melhor resultado porque o André Almeida não estava muito virado para os aproveitar, hesitando quase sempre os centésimos de segundo suficientes para já não chegar à bola em condições. O Jonas acordou na segunda parte e foi outro dos responsáveis pelo assalto á baliza do Chaves. Bom jogo dos nossos centrais (pena que não tivessem tido melhor finalização nos lances aéreos na área do Chaves, em particular o Jardel) e do Cervi até ser substituído. O Salvio foi ao mesmo tempo o jogador mais perigoso do Benfica na primeira parte e o mais exasperante também, com mais algumas daquelas jogadas em que se esquece que tem colegas com quem jogar.

Na antevisão da Liga já tinha previsto que este seria um dos obstáculos mais complicados par o Benfica na fase inicial da época, e isso confirmou-se. Mas com uma atitude competitiva louvável conquistámos os três pontos e superámos mais este desafio, com a equipa a exibir uma saúde física impressionante tendo em conta o alto ritmo mantido durante os noventa minutos - e isto foi, sem dúvida, uma das chaves para o sucesso, pois foi evidente a incapacidade do nosso adversário para nos acompanhar. Vontade de vencer é o que não falta aos nossos jogadores, e não foi o tetracampeonato que os tornou sobranceiros. É com jogos e vitórias como esta que poderemos sonhar com a conquista de um inédito penta.

P.S.- O fantástico vídeo-árbitro, herói da 'verdade desportiva', não foi suficiente para evitar que ficassem dois penáltis por marcar a favor do Benfica. Em relação a um deles, acho particularmente cómico assistir aos números de contorcionismo da chusma de avençados e cartilheiros para justificar que não senhor, aquilo é um 'choque normal entre dois jogadores que disputam a bola' e completamente diferente do lance do holandês mergulhador que permitiu aos crónicos campeões da pré-época e vencedores antecipados de todos os campeonatos sacar três pontos do jogo com o Setúbal. Quanto ao outro, a mesma chusma considera que 'era um lance impossível para o árbitro ver'. Pois, eu pensava que era precisamente para lances desses que existia um vídeo-árbitro...