sexta-feira, 25 de abril de 2014

BENFICA - 2 JUVENTUS - 1 - TUDO É POSSIVEL

Aberto

Um jogo de duas partes distintas resultou numa vantagem mínima na eliminatória, que deixa tudo em aberto para a segunda mão. Parece-me no entanto que podemos esperar grandes dificuldades em Turim, face ao que a Juventus mostrou esta noite.


Achei algo surpreendente a titularidade do Cardozo em vez do Lima. Na baliza jogou o Artur, e no lugar do Gaitán o Sulejmani. De resto, a equipa habitual, com o André Gomes a manter a titularidade no meio campo. O início do jogo foi de sonho para o Benfica, porque logo aos dois minutos já festejávamos o primeiro golo. Canto na esquerda apontado pelo Sulejmani (depois de uma arrancada do Enzo com passe para o Sulejmani desaproveitar) e cabeçada vitoriosa do Garay. A entrada do Benfica no jogo foi muito boa: conseguimos bloquear a construção de jogo da Juventus, não demos liberdade ao Pirlo (o Enzo ou o Rodrigo, à vez, caíam sobre ele) e fizemos uma boa posse de bola. Sempre que a Juventus tentava sair a jogar a partir da defesa, a nossa equipa subia muito no campo e bloqueava todas as possibilidades de passe para os três defesas e o médio defensivo, obrigando ao despejo da bola para a frente. Quando a Juventus se adiantava um pouco mais, fomos capazes de a manter em respeito com saídas rápidas para o contra-ataque. Neste particular foi onde se notou mais a ausência do Gaitán, pois o Sulejmani não tem a mesma velocidade com a bola nos pés, e muito menos ainda a técnica dele. Talvez com o argentino em campo tivéssemos conseguido marcar mais um golo na primeira parte. Mas à medida que o jogo foi caminhando para o intervalo a Juventus foi conseguindo assentar o seu jogo, e passou a ter cada vez mais bola. No entanto o Benfica manteve-se sempre organizado, não permitindo que a Juventus fizesse muito mais do que tentar surpreender com bolas longas para as costas da nossa defesa, capítulo em que os italianos estiveram muito pouco inspirados.


A segunda parte foi completamente diferente, e pertenceu à Juventus. A sensação que deu foi que os nossos jogadores acusaram o cansaço do trabalho que fizeram na primeira parte. No meio campo a Juventus ganhou superioridade, pois o Rodrigo deixou de recuar, o Pirlo passou a ter maior liberdade, e o Enzo não dá para tudo. Até porque o André Gomes passou a maior parte do jogo mais preocupado com uma marcação individual ao Pogba, e pouco ajudava no meio. A posse de bola passou a ser claramente favorável à Juventus, que passou a jogar mais no nosso meio campo e cada vez mais próxima da nossa área. O Benfica parecia mais preocupado em defender a magra vantagem, e a Juventus carregou, sendo agora a vez dos italianos exercerem uma pressão muito forte na saída de bola, que conseguiu fazer com que nós praticamente não jogássemos. Cada bola que recuperávamos era praticamente entregue no instante seguinte aos italianos. O cenário certamente não iria dar bons resultados, pelo que era necessário mudar algo. Quando o André Almeida substituiu o Sulejmani, que na altura já pouco mais fazia do que figura de corpo presente, pensei que fosse para passar o Rodrigo para a esquerda e reforçar a zona central, mas numa opção que me pareceu estranha foi o André Gomes quem ficou a fechar o lado esquerdo, ainda e sempre preocupado com o Pogba. Entrou também o Lima para o lugar do Cardozo (mais um jogo apagado), mas esta foi a pior fase do Benfica em todo o jogo. A Juventus era claramente a melhor equipa em campo, e acabou por chegar naturalmente ao golo, através do Tévez, que dentro da área conseguiu ultrapassar o Luisão e rematar à saída do Artur. Faltavam dezoito minutos para o final, e já não esperava que o Benfica conseguisse reagir, mas a entrada do Ivan Cavaleiro espevitou a equipa, e a seis minutos do final voltámos a colocar-nos em vantagem. Foi um golaço do Lima, num remate de primeira à entrada da área após uma simulação (ou um passe falhado, nem sequer percebi bem) do Ivan Cavaleiro a deixar passar a bola. Depois do golo, o jogo ficou mais aberto, e as duas equipas até poderiam ter voltado a marcar nos poucos minutos até ao final do jogo.


No Benfica destaco as exibições dos dois centrais, do Siqueira e do Enzo como as mais positivas. O Lima e o Ivan entraram bem no jogo e foram importantes para evitar a derrota. O André Gomes fez um jogo fraco. Andou demasiado tempo dedicado a funções de marcação para as quais não está claramente talhado, e foi até displicente em ocasiões nas quais tentou sair a jogar quando tal não era indicado. O Sulejmani não fez esquecer o Gaitán e o Cardozo fez aquilo que tem feito nos últimos tempos: quase nada (o jogo também nunca me pareceu, logo à partida, como o mais indicado para ele).

A discussão da eliminatória está em aberto, é certo, mas levamos uma vantagem bastante magra para Itália. Creio portanto que a estratégia do Benfica para a segunda mão deverá passar por tentar marcar em Turim, e não pensar exclusivamente em defender uma vantagem tão escassa (já vi o Benfica perder uma meia final assim, embora nesse caso a expulsão do Mozer à meia hora de jogo pouco mais nos deixasse fazer). Por aquilo que a Juventus mostrou na segunda parte, se formos para Itália apenas para defender parece-me que iremos passar um mau bocado.

P.S.- Acho que começo a perceber porque é que o Proença é tão bem cotado na UEFA.

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