terça-feira, 12 de março de 2019

BENFICA - 2 BELENENSES - 2 MUITO MAU

Ridículo

Um empate absolutamente ridículo contra uma equipa que apesar de ter sido uma nulidade no ataque e de ter criado exactamente zero ocasiões de golo, conseguiu marcar dois golos na Luz e recuperar de uma desvantagem que seria completamente inultrapassável se não fossem as nossas ofertas.


Não quero escrever muito porque acabei de chegar do estádio e ainda estou irritado com o que aconteceu. O jogo antevia-se difícil contra um equipa que veio à Luz defender e nada mais do que isso, apresentando-se com cinco defesas, incluindo um líbero, e a jogar quase sempre com todos os jogadores atrás da linha da bola e com as linhas bem juntas. Começámos o jogo com o Rafa a desperdiçar um golo cantado, mas isso não deu o mote para o resto da primeira parte. Fomos lentos na circulação da bola, o que aumentou as dificuldades perante uma equipa tão fechada. E muito disso passou pelo facto de nenhum dos dois médios centro (Samaris e Florentino) terem grande capacidade criativa. O Florentino é fantástico na recuperação, mas não lhe podemos pedir que crie muito jogo ofensivo, já que a tendência dele é recuperar e entregar de forma segura e em passe curto. Na frente, o Jonas é um jogador muito diferente do Seferovic, que se fixa mais entre os centrais e não faz tanto aquelas diagonais típicas do suíço. Rematámos pouco, criámos poucas ocasiões, e o nulo ao intervalo espelhava isso mesmo. Na segunda parte acelerámos mais o ritmo e vimos mais vezes o Pizzi a aparecer na zona central para pegar no jogo, com o João Félix a cair para a direita. Chegámos cedo ao golo, em mais uma obra da velha sociedade André Almeida/Jonas. Cruzamento largo para a área, onde o Jonas controlou com um toque e no seguinte rematou colocado para o golo. Pouco depois chegou o segundo golo, num remate de fora da área do Samaris que ainda desviou em alguém (não vi se foi um jogador nosso ou deles). Havia pouco menos de meia hora para jogar e objectivamente o jogo estava praticamente ganho. A equipa que já foi o Belenenses era um zero no ataque e não tinha sido capaz de criar uma única ocasião de golo ou sequer uma jogada mais perigosa. Mas no espaço de dois minutos, deitámos tudo a perder. Primeiro, um frango descomunal do Vlachodimos, que num livre a meio do meio campo despejado para a área resolveu fiar-se num golpe de vista digno da Helen Keller e encolheu-se para deixar a bola passar e entrar na baliza. Como se isso não fosse suficiente, logo a seguir o Rúben Dias, sem estar sequer pressionado, fez uma assistência para deixar um adversário isolado, que marcou com toda a facilidade. Sem criar ocasiões, com o nosso guarda-redes a não fazer uma defesa, o nosso adversário conseguiu marcar por duas vezes. Deve ter sido por isso que festejaram o golo como se tivessem ganho o campeonato, porque acho que até eles tinham a noção do quão fortuito ele era. E a partir daqui, com vinte minutos mais os descontos por jogar, o Benfica perdeu toda a coerência. A equipa tentou, mas tudo foi feito com muito pouca cabeça, as substituições também não resultaram, e houve muitos remates disparatados de fora da área, cruzamentos que não eram mais do que despejar bolas, e fiquei sempre com a sensação de que se por acaso marcássemos, seria uma coisa completamente fortuita.

Não sei quem terá sido o melhor do Benfica. Talvez o Florentino, pela quantidade de bolas recuperadas. Mas no cômputo geral não foi um jogo muito conseguido da nossa equipa - a atitude foi a correcta, mas as coisas nem sempre saíram bem. Ainda assim teria sido mais do que suficiente para vencer o jogo, não fossem aqueles dois erros.

Fizemos o mais difícil que foi conquistar a liderança da tabela. Tínhamos dez jogos e margem para uma pequena escorregadela, mas desperdiçámos essa margem logo ao primeiro jogo, única e exclusivamente por culpa própria. Erros acontecem e obviamente que ninguém erra de propósito, mas foram dois momentos de displicência seguidos que nos podem vir a custar demasiado caro. E assim literalmente se deitam fora dois pontos preciosíssimos.

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