domingo, 12 de fevereiro de 2012

BENFICA - 4 NACIONAL - 1 - FESTIVAL

O Nacional bem pode dar-se por satisfeito por ter saído da Luz com uma derrota por 4-1. É que mesmo sem forçar muito, o vendaval ofensivo do Benfica criou oportunidades mais do que suficientes para chegar no mínimo aos oito golos, e isto já é uma estimativa conservadora.
No onze do Benfica destaca-se a inovação de ter sido o Witsel o escolhido para ocupar a vaga do Maxi na direita. Houve também uma alteração no meio campo, onde o Matic ocupou a vaga do indisponível Javi García. O que o Benfica tentou fazer foi juntar muito o Matic aos centrais, permitindo um maior adiantamento dos laterais e assim não obrigando o Witsel a jogar tanto como lateral puro. Os minutos iniciais até nem foram muito promissores: o Benfica parecia algo preguiçoso e preso de movimentos, e o Nacional conseguia ter quase sempre a bola, tendo feito os primeiros remates do jogo. Mas aos oito minutos o Benfica foi lá à frente praticamente pela primeira vez, e marcou logo, num cabeceamento do Garay após livre marcado na direita pelo Aimar. E depois do golo, iniciou-se uma avalanche ofensiva do Benfica e um autêntico festival, quer de futebol, quer de golos falhados. É que aos quinze minutos de jogo já o resultado poderia estar em três ou quatro: Nolito, Cardozo (ao poste) e Rodrigo (na recarga), e Luisão desperdiçaram oportunidades flagrantes para voltar a marcar. Foi portanto com naturalidade que, aos vinte minutos, surgiu o terceiro golo, depois de uma grande jogada individual do Gaitán, que entrou pela direita e deixou todos para trás antes de assistir o Cardozo para uma conclusão fácil à boca da baliza.
Este domínio do Benfica tinha a particularidade de aparentar ser conseguido quase sem grande esforço, com as coisas a saírem bem de uma forma muito natural, e a goleada a ser o desfecho mais expectável para o jogo a que se assistia. Também o deve ter pensado o bom do Jorge Sousa, e resolveu então introduzir alguma incerteza no resultado, descortinando um penálti pouco antes de chegarmos à meia hora que, sinceramente, me pareceu que só terá acontecido dentro daquela cabecinha azulada. O Benfica acusou um pouco o golo sofrido e demorou alguns minutos a reencontrar o ritmo de jogo que vinha impondo até então. Porém, esta fase não durou muito tempo, pois aos trinta e oito minutos uma boa jogada do Benfica resultou num passe do Nolito que isolou o Rodrigo sobre a esquerda, e este ultrapassou o guarda-redes para depois marcar de ângulo já apertado. Mesmo no último lance do primeiro tempo, mais uma jogada fantástica de futebol corrido do Benfica deixou o Aimar na cara do guarda-redes, mas o remate saiu fraco e à figura. À saída para o intervalo parecia ser evidente que, salvo alguma nova habilidade do Jorge Sousa, o jogo estaria praticamente resolvido para o Benfica, restando apenas a incerteza de se saber quantos mais golos conseguiríamos marcar.
Na segunda parte o Benfica pareceu ter consciência disso mesmo, e talvez pensando já no jogo com o Zenit nunca forçou muito o ritmo, não havendo grande história para contar a não ser o controlo quase total do jogo. Mas a qualidade dos nossos jogadores e do nosso jogo ofensivo é garantia de que mesmo sem forçar muito, os lances para golo continuam sempre a aparecer. Golos houve apenas mais um, que apareceu à hora de jogo num remate quase sem ângulo do Rodrigo, que conseguiu fazer a bola passar entre o guarda-redes e o poste. Oportunidades, foram várias, e muitas delas flagrantes: do Nolito, do Rodrigo - completamente isolado a falhar a possibilidade de um hattrick - e do Cardozo, por mais do que uma vez, tendo até desperdiçado um penálti a dez minutos do final (rematou por cima), que o Jorge Sousa deve ter assinalado por perceber que nem ele conseguiria evitar o desfecho lógico para este jogo. Depois do penálti falhado é que o Benfica fechou definitivamente a loja, e limitou-se a esperar que os minutos finais se escoassem até ao apito final.
Mais dois golos do Rodrigo, e mais uma demonstração da imensa qualidade que temos naquele jogador. E quando pensamos na idade que tem e no quanto ainda pode crescer e valorizar-se, só nos resta esperar que o consigamos manter por cá durante mais algum tempo. Porque a questão já não é se dará o salto para outros voos, mas sim quando o dará. Jogo perfeito do Garay, que não deve ter perdido um lance, ou deixado passar um adversário uma vez que fosse. Gostei também muito de ver o Matic. Hoje conseguiu, de facto, fazer de Javi García, mantendo-se concentrado e tacticamente disciplinado, em vez de o vermos a correr por aquele meio campo fora atrás da bola, estivesse ela onde estivesse. Fez bem a interacção com os centrais e ocupou bem os espaços à frente da defesa. Tal como outros jogadores esta época, está a mostrar uma boa evolução. Luisão, Aimar (claro) e Nolito também em bom plano.

Missão cumprida com distinção: vitória e resultado folgado sem ser necessário despender grandes esforços antes do importante jogo na Rússia. Quanto ao campeonato, seguem-se duas deslocações importantes e complicadas antes de recebermos o Porto. Para mim, poderemos praticamente decidir o título nas próximas três jornadas. E parece-me que o Benfica chega a esta fase em condições quase ideais: confiante, com um modelo de jogo bem implementado, jogadores motivados para mostrarem o seu melhor, e uma imensa onda vermelha atrás da equipa (mais de 53.000 esta noite na Luz).

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